O Banco Central passou a divulgar indicadores mensais sobre reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho. A nova base reúne informações de acordos registrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e permite acompanhar se os aumentos definidos nas negociações preservaram ou não o poder de compra dos trabalhadores.
A metodologia foi apresentada na Nota Técnica nº 60, publicada pelo Banco Central em 23 de setembro de 2026. Os dados são extraídos do Sistema Mediador, plataforma do MTE que reúne registros de instrumentos coletivos firmados entre sindicatos de trabalhadores, entidades patronais e empresas.
Com a iniciativa, os resultados das negociações coletivas passam a ser acompanhados por meio de uma série estatística regular. A ferramenta pode servir de referência para sindicatos, trabalhadores, empregadores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas interessados na evolução dos salários negociados no país.
Como funciona o novo indicador
Segundo a Nota Técnica nº 60 do Banco Central, os indicadores consideram os reajustes nominais definidos nas convenções coletivas. O levantamento também calcula o resultado real das negociações, descontando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Essa diferença é importante para a análise sindical. Um reajuste nominal representa o percentual aplicado ao salário, mas não mostra sozinho se houve aumento efetivo do poder de compra. Quando o índice negociado fica acima da inflação, há ganho real. Se fica abaixo, o trabalhador sofre perda real. Também são identificadas as negociações que apenas acompanham a variação do INPC.
A base ainda apresenta a proporção de convenções coletivas com resultados acima, iguais ou abaixo da inflação. Dessa forma, além de indicar o percentual médio dos reajustes, a série ajuda a dimensionar quantas negociações conseguiram superar a alta dos preços em determinado período.
Dados abrangem setores e regiões
O levantamento contempla convenções coletivas de diferentes áreas da economia, incluindo agropecuária, indústria, construção civil, comércio e serviços. A possibilidade de observar os dados por atividade e região amplia a capacidade de comparação entre campanhas salariais com características distintas.
As informações têm origem no Sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego. A plataforma é utilizada para o registro dos instrumentos coletivos e aproxima a estatística oficial das negociações formalizadas por sindicatos e representantes patronais.
De acordo com a Agência Brasil, a série será disponibilizada mensalmente no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central. A divulgação periódica permite acompanhar a trajetória dos reajustes ao longo do tempo e verificar como as negociações respondem às mudanças na inflação.
Importância para sindicatos e trabalhadores
Para o movimento sindical, o indicador pode oferecer uma referência adicional durante a preparação de pautas e a avaliação de resultados em datas-base. A consulta aos reajustes negociados em diferentes setores e regiões ajuda a contextualizar as reivindicações e a identificar o comportamento das negociações coletivas em cada período.
A série também pode contribuir para distinguir a recomposição salarial da obtenção de ganho real. Essa separação é relevante porque a simples aplicação de um percentual de reajuste não significa necessariamente avanço na renda. O efeito depende da comparação entre o aumento concedido e a inflação acumulada considerada na metodologia.
Para trabalhadores e empregadores, os dados organizam informações que antes estavam dispersas em diferentes convenções coletivas. Já para pesquisadores e gestores públicos, a base cria uma fonte regular para observar a relação entre inflação, salários e negociação coletiva no mercado de trabalho formal.
Divulgação mensal amplia acompanhamento
A publicação da Nota Técnica nº 60 detalha a metodologia utilizada pelo Banco Central para transformar os registros do Mediador em indicadores de reajustes salariais. A divulgação da nota ocorreu em 23 de setembro de 2026, enquanto a notícia sobre a criação da base foi publicada pela Agência Brasil em 6 de outubro de 2026.
O acompanhamento mensal não substitui a análise específica de cada convenção coletiva, já que as condições negociadas variam conforme a categoria, a região e o período de vigência. Ainda assim, o indicador oferece uma visão agregada dos resultados e facilita a leitura do cenário nacional das negociações salariais.
Ao reunir reajustes nominais, ganhos ou perdas reais e a distribuição das negociações em relação ao INPC, a nova série do Banco Central amplia a transparência sobre os efeitos das convenções coletivas. Para sindicatos e trabalhadores, o recurso pode se tornar mais um instrumento de análise nas campanhas salariais e no acompanhamento da preservação do poder de compra.
