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Jornal do Sindicato > Blog > Notícias > Gestão de risco e governança financeira no mercado de capitais brasileiro
Felipe Rassi
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Gestão de risco e governança financeira no mercado de capitais brasileiro

Mikhail Voralen
Mikhail Voralen junho 2, 2026
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Felipe Rassi
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Em meio às transformações recentes do mercado de capitais no Brasil, a governança financeira e a gestão de risco emergiram como temas centrais para investidores, gestores e profissionais do setor. Felipe Rassi, especialista no mercado financeiro, acompanha de perto a evolução das práticas de governança dentro do segmento de crédito privado e ativos estressados, identificando na adoção de estruturas mais rigorosas de controle e transparência um fator determinante para a consolidação do mercado. A qualidade da governança financeira não é apenas um atributo institucional; é um componente diretamente relacionado à performance das operações e à proteção dos diferentes agentes que participam do ecossistema de crédito.

Contents
De que maneira a governança financeira influencia os resultados de operações de crédito?Qual o papel dos instrumentos de mitigação de risco em operações financeiras estruturadas?Tendências regulatórias e seus impactos sobre o mercado financeiro brasileiro

A gestão de risco em operações financeiras de maior complexidade requer metodologias bem estruturadas e processos continuamente revisados à luz das mudanças no ambiente econômico e regulatório. No segmento de crédito privado e ativos estressados, os riscos não se limitam à probabilidade de inadimplência do devedor; incluem também riscos de liquidez, riscos operacionais associados aos processos de recuperação e riscos jurídicos decorrentes de contestações sobre a validade das operações ou a titularidade dos créditos. A identificação e o monitoramento sistemático desses diferentes componentes de risco são condições básicas para a gestão responsável de carteiras nesse segmento.

De que maneira a governança financeira influencia os resultados de operações de crédito?

A governança financeira impacta os resultados de operações de crédito por meio de múltiplos canais. Estruturas de comitê bem definidas, processos formalizados de aprovação e monitoramento, políticas claras de concentração de risco e mecanismos eficazes de reporte são elementos que reduzem a probabilidade de erros de análise, fraudes e conflitos de interesse. Conforme elucida Felipe Rassi, fundos e instituições com governança robusta tendem a apresentar desempenho mais consistente ao longo do tempo, especialmente em momentos de estresse do mercado, quando a qualidade dos processos internos é colocada à prova de forma mais intensa.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

A transparência como componente da governança financeira ganhou relevância crescente no mercado brasileiro, impulsionada tanto pelas exigências regulatórias quanto pela demanda dos investidores institucionais por informações mais detalhadas e tempestivas sobre o desempenho das carteiras. O desenvolvimento de relatórios de risco padronizados, a adoção de metodologias de precificação auditáveis e a publicação periódica de indicadores de desempenho são práticas que fortalecem a confiança dos investidores e contribuem para a profissionalização do mercado de crédito privado no Brasil.

Qual o papel dos instrumentos de mitigação de risco em operações financeiras estruturadas?

Os instrumentos de mitigação de risco têm papel central na viabilização de operações financeiras estruturadas de maior complexidade. Garantias reais e fidejussórias, instrumentos de subordinação de cotas em FIDCs, coberturas de seguro de crédito e estruturas de colateral são mecanismos amplamente utilizados para reduzir a exposição dos investidores ao risco de perdas inesperadas. Na concepção de Felipe Rassi, a seleção e o dimensionamento adequado desses instrumentos dependem de uma análise detalhada do perfil de risco da operação e do ambiente jurídico que rege a execução das garantias no caso de inadimplência.

A efetividade dos instrumentos de mitigação de risco é, em grande medida, condicionada pela qualidade da estruturação jurídica da operação. Uma garantia real tecnicamente válida, mas com falhas no registro ou inconsistências documentais, pode ter sua efetividade questionada em uma execução judicial, comprometendo a segurança que deveria oferecer ao credor. Daí a importância de uma abordagem integrada entre as perspectivas financeira e jurídica na estruturação de qualquer operação de crédito que envolva instrumentos de mitigação de risco, especialmente em ambientes de maior exposição como o crédito corporativo e os ativos estressados.

Tendências regulatórias e seus impactos sobre o mercado financeiro brasileiro

O ambiente regulatório do mercado financeiro brasileiro segue em processo de evolução, com impactos relevantes para a gestão de risco e a governança das operações de crédito. A atuação do Banco Central na revisão das normas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, as mudanças nas regras de cessão de crédito e o aperfeiçoamento da regulação dos FIDCs são exemplos de movimentos que afetam diretamente a dinâmica do mercado de crédito privado e de ativos estressados. Sob a análise de Felipe Rassi, o acompanhamento contínuo das mudanças regulatórias é condição indispensável para a gestão eficaz de portfólios nesse segmento, dado o impacto que as normas exercem sobre a estruturação, a precificação e a estratégia de recuperação das operações.

A tendência global de convergência para padrões internacionais de governança, risco e compliance também exerce influência crescente sobre o mercado financeiro brasileiro. Investidores estrangeiros que alocam capital em fundos de crédito privado no Brasil exigem padrões de reporte e governança comparáveis aos vigentes em mercados como os dos Estados Unidos e da Europa, o que empurra o setor local em direção a práticas mais sofisticadas. Felipe Rassi pondera que essa convergência, embora demande investimentos significativos em infraestrutura e processos por parte dos gestores locais, tende a resultar em um mercado mais robusto, transparente e atrativo para um espectro mais amplo de investidores, beneficiando em última análise o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro como um todo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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