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Tecnologia

Sindicatos brasileiros correm para colocar a inteligência artificial na mesa de negociação

Diego Velázquez
Diego Velázquez julho 17, 2026
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Entidades sindicais debatem transparência algorítmica, requalificação e redução de jornada diante do avanço da IA nos ambientes de trabalho

Contents
Sindicatos criam estruturas próprias para lidar com o temaRedução de jornada entra na conversaVigilância algorítmica preocupa entidades

A chegada acelerada da inteligência artificial aos ambientes de trabalho tem forçado sindicatos brasileiros a rever suas pautas de negociação coletiva. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (IBRE/FGV), baseado em metodologia da Organização Internacional do Trabalho, 30% dos trabalhadores brasileiros já estavam em ocupações expostas à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, o equivalente a cerca de 30,9 milhões de pessoas, com impacto mais intenso sobre mulheres e determinados grupos de trabalhadores.

O levantamento aponta que a automação atual opera principalmente em nível de tarefas, e não de ocupações inteiras. Isso significa que profissões raramente desaparecem por completo, mas passam por reconfiguração constante, com deslocamento de atividades rotineiras e aumento do prêmio salarial para quem domina competências tecnológicas, o que pode aprofundar a polarização entre trabalhadores mais e menos qualificados.

Sindicatos criam estruturas próprias para lidar com o tema

Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que centrais sindicais têm criado unidades específicas para acompanhar o avanço da IA, além de buscar parcerias com universidades e centros de pesquisa para produzir dados próprios sobre o impacto da tecnologia em diferentes setores. O objetivo é disputar ativamente o significado social da automação, em vez de apenas reagir às mudanças impostas pelas empresas.

Entre as principais reivindicações que já aparecem nas pautas sindicais estão a transparência algorítmica, o direito à explicação sobre decisões automatizadas, a revisão humana de processos geridos por sistemas de IA, a proteção de dados pessoais dos trabalhadores e a requalificação profissional para quem tiver a função alterada pela tecnologia. Some se a isso a defesa da participação sindical na governança dos próprios sistemas adotados pelas empresas.

Redução de jornada entra na conversa

Um dos pontos que ganhou força nos últimos meses é a defesa, por parte do movimento sindical, da redução da jornada de trabalho com manutenção da remuneração, argumento sustentado pelo aumento de produtividade que ferramentas de IA já proporcionam em diversos setores. Em seminário promovido pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), dirigentes defenderam que as empresas sejam obrigadas a informar e discutir previamente com o sindicato qualquer mudança tecnológica que possa impactar postos de trabalho.

O presidente da IndustriALL Brasil, Aroaldo Oliveira, citou experiências anteriores de negociação em processos de reestruturação produtiva como referência para lidar com a IA. A avaliação apresentada no evento é que os sindicatos precisarão negociar, nos próximos anos, temas que até pouco tempo atrás estavam fora do radar das relações de trabalho, como o direito à desconexão e a saúde mental dos trabalhadores diante da intensificação do ritmo de produção.

Vigilância algorítmica preocupa entidades

Outro ponto de atenção levantado por sindicatos é o uso de inteligência artificial para vigilância e monitoramento excessivo dos trabalhadores, além da responsabilização de profissionais por decisões tomadas por sistemas automatizados e o risco de discriminação algorítmica. Esses temas motivaram, inclusive, a realização da Conferência Nacional por IA com Direitos Sociais, promovida pela CUT, que aprovou a Carta de São Bernardo do Campo, documento que reúne propostas do movimento sindical em defesa de uma inteligência artificial regulada e democrática no país.

Durante o evento, especialistas apresentaram visões distintas sobre os efeitos da automação: enquanto parte dos pesquisadores destaca o risco de aprofundamento da precarização em determinados setores, outros apontam a possibilidade de a tecnologia abrir espaço para novas formas de ocupação profissional, desde que acompanhada de políticas públicas de requalificação e regulação adequada.

O desafio agora, segundo dirigentes sindicais ouvidos nesses debates, é transformar essas discussões em cláusulas concretas dentro das campanhas salariais e acordos coletivos, levando a inteligência artificial definitivamente para dentro das mesas de negociação em diferentes setores da economia brasileira.

Fontes consultadas:

  • DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
  • Brasil de Fato
  • Sinpro-DF
  • CUT – Central Única dos Trabalhadores

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