Categoria aprovou paralisação para 28 de setembro em meio a negociações trabalhistas; movimento pode afetar linhas de ônibus e a rotina de milhares de passageiros no Distrito Federal.
Os rodoviários do Distrito Federal decidiram, em assembleia realizada no último domingo (20), deflagrar uma greve geral a partir da próxima segunda-feira, dia 28 de setembro. A categoria reivindica reajuste salarial e a renovação do acordo coletivo de trabalho, que venceu em 30 de julho e ainda não foi renegociado com as empresas concessionárias que operam o transporte público no DF.
Assembleia aprova greve para o dia 28
A decisão foi tomada após meses de negociação sem avanço entre o Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal e as empresas responsáveis pelo Serviço Básico de Transporte Público Coletivo. As tratativas começaram em julho, mas até o momento não resultaram em nenhuma proposta considerada satisfatória pela categoria.
A aprovação da greve em assembleia não significa, no entanto, que as negociações estão encerradas. Caso trabalhadores e empresas cheguem a um entendimento antes da data marcada, a paralisação pode ser suspensa. É o mesmo caminho que o sindicato já adotou em outras rodadas de negociação nos últimos anos.
A mobilização se soma a um período de tensão entre categorias do funcionalismo e prestadores de serviço público no DF, já que o país se aproxima do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. O momento eleitoral tende a aumentar a pressão sobre o poder público local para resolver a pauta antes da paralisação começar.
O que pedem os rodoviários
A principal reivindicação da categoria é a recomposição salarial referente a um ano sem reajuste, com a possibilidade de ganho real acima da inflação. Além do salário, o sindicato busca manter cláusulas do acordo coletivo anterior, hoje ameaçadas pela falta de renovação do documento.
Entre os pontos da pauta estão a jornada de seis horas corridas, o tíquete e a cesta alimentação, planos de saúde e odontológico, o adicional por tempo de serviço conhecido como quinquênio, e a garantia de emprego para os cobradores. Esse último ponto ganhou peso depois que várias linhas do DF passaram a dispensar a circulação de dinheiro dentro dos ônibus, o que reduziu a necessidade de cobradores em algumas rotas.
Para o sindicato, manter essas cláusulas é tão importante quanto o próprio reajuste, já que parte dos benefícios funciona como complemento salarial para os trabalhadores da categoria.
Como funciona o sistema de ônibus do DF
Uma eventual paralisação tem potencial para afetar diferentes regiões do Distrito Federal, já que o sistema de transporte é operado por cinco concessionárias distintas, cada uma responsável por uma bacia de atendimento. A Bacia 1, operada pela Piracicabana, cobre Brasília, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão, Sobradinho e Planaltina.
A Bacia 2 é atendida pela Pioneira e inclui Paranoá, Itapoã, São Sebastião, Gama e Santa Maria. Já a Bacia 3, sob responsabilidade da HP-ITA/Urbi, abrange o Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Recanto das Emas e Samambaia.
A Bacia 4 é operada pela Marechal e atende Guará, Águas Claras, Taguatinga e Ceilândia, enquanto a Bacia 5, da Bsbus Mobilidade, cobre Estrutural, Vicente Pires, além de outras áreas de Taguatinga e Ceilândia. O sistema conta ainda com a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília, empresa pública, e a cooperativa Cobrataete.
Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação oficial sobre quais linhas ou concessionárias seriam efetivamente paralisadas a partir do dia 28, já que a decisão pode variar conforme o andamento das negociações em cada bacia.
Governo do DF reage e pede auditoria
A aprovação da greve provocou reação imediata do Governo do Distrito Federal. A governadora em exercício, Celina Leão, afirmou que a gestão não pretende ceder à pressão por reajuste durante o período eleitoral e informou que solicitou uma auditoria dos contratos do sistema de transporte público.
Segundo a governadora, o momento não é adequado para discutir também um possível reajuste da tarifa de ônibus para os passageiros. A fala ocorre em um contexto no qual o sistema envolve contratos de concessão com empresas privadas e recursos públicos repassados às operadoras por meio da chamada tarifa técnica.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal também acompanha o caso e já protocolou pedidos de informação sobre a metodologia de cálculo dessa tarifa, além de auditorias e valores de subsídios pagos às concessionárias em 2025 e previstos para 2026. A Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF, por sua vez, informou que está monitorando as tratativas entre as empresas e o sindicato, defendendo o diálogo permanente entre as partes para garantir a continuidade do serviço à população.
