Os encontros entre aeronaves e aves constituem uma das principais ocorrências da aviação. De acordo com o empresário e piloto Wander Aguilera Almeida, esse tipo de incidente torna-se ainda mais relevante em aeródromos do interior, situados em proximidade com lavouras, pastagens e áreas verdes. Em aeronaves leves, uma colisão pode atingir o para-brisa, a hélice ou o motor em fases críticas do voo.
Grande parte dessas ocorrências dá-se em baixa altitude, precisamente durante decolagens, aproximações e pousos, circunstâncias em que o piloto dispõe de menor tempo e espaço para reagir de forma eficaz. Por conseguinte, as autoridades de aviação mantêm sistemas de registro e programas de gerenciamento de risco de fauna nos aeródromos.
O tema adquire especial importância diante do aumento das operações em pistas rurais e regionais. Muitos desses locais não contam com equipes de manejo de fauna, delegando ao piloto a responsabilidade pela avaliação. A seguir, a fim de obter uma compreensão integral do tema, serão apresentados os motivos pelos quais o risco existe, os fatores que o ampliam e as medidas que pilotos e operadores podem tomar para reduzi-lo.
Fatores que elevam o risco em determinadas regiões
A presença de aves é um indicador importante de que há fontes suficientes de alimento, água e abrigo para elas. Áreas recentemente colhidas, plantações em fase inicial, rejeitos sólidos, lagoas e pastagens atraem espécies capazes de cruzar as trajetórias de pouso e decolagem. Tais espécies frequentemente formam bandos.
Além disso, o horário e a estação também influenciam o resultado. As aves tendem a apresentar maior atividade no início da manhã e no fim da tarde. Ademais, algumas espécies realizam deslocamentos sazonais, aumentando sua concentração em épocas específicas do ano. Operações agrícolas próximas, tais como a colheita e o preparo do solo, também atraem aves temporariamente.
Em aeródromos que não contam com uma estrutura de monitoramento, essa informação nem sempre está disponível. Wander Aguilera Almeida destaca que é imprescindível conhecer o entorno da pista e conversar com quem opera no local, a fim de identificar períodos e áreas de maior risco antes do voo.

Estratégias de prevenção adotadas por pilotos e operadores
O gerenciamento do risco de fauna combina medidas em solo e cuidados operacionais:
- Planejamento do horário: evitar decolagens e pousos nos períodos de maior atividade das aves, quando o voo puder ser programado com flexibilidade.
- Inspeção da pista: observar a presença de aves e animais antes de operar, especialmente em aeródromos rurais sem controle de tráfego.
- Manejo do entorno: controle da vegetação, descarte adequado de resíduos e cuidado com acúmulos de água reduzem atrativos próximos às pistas.
- Registro das ocorrências: comunicar avistamentos e colisões às autoridades alimenta bases de dados que orientam medidas preventivas em todo o país.
Essas ações demonstram a capacidade de gerenciar os riscos existentes de forma eficaz. Nesta perspectiva, Wander Aguilera Almeida propõe que o respeito às regras de segurança inclua o tratamento da fauna como parte do planejamento, e não como um imprevisto inevitável.
A técnica de voo é outro fator importante a ser considerado. Manter velocidade adequada, iluminação acesa durante pousos e decolagens, bem como atenção visual constante nas fases de baixa altitude, aumenta as chances de percepção e de mitigação de possíveis colisões com aves.
Um risco que pede atenção constante
A colisão com aves representa um perigo frequente que, muitas vezes, é subestimado. Esse tipo de acidente é especialmente preocupante em operações no interior, onde os aeródromos estão situados em proximidade direta com áreas agrícolas e naturais.
Ao destacar a importância de informações sobre o entorno, registros de ocorrências e cuidados simples no planejamento, Wander Aguilera Almeida, empresário e piloto de aeronaves, enfatiza que tais medidas constituem a principal defesa contra esse tipo de incidente.
É importante destacar que o entorno das pistas manterá sua conexão com elementos naturais. A capacidade de antecipar o risco e ajustar cada voo às condições locais, incluindo a decisão estratégica de aguardar em pista não disponível para decolagem, constitui um diferencial que impacta significativamente no desempenho.
